* por Carlos Gomes
Aqui mesmo no FDB, há uma postagem chamada Lionel Messi nunca cai, onde podemos ver la pulga argentina ultrapassar com seus dribles, improvisos e velocidade, os adversários sem cogitar simular uma falta. Em algum momento de sua carreira profissional – desconfio que ainda na infância –, o jogador do Barcelona deve ter percebido que valia mais a pena tentar permanecer de pé do que cavar faltas. Fato raro na cultura do futebol brasileiro e argentino.
Assistindo à primeira partida da final do campeonato pernambucano entre Santa Cruz e Sport, um atacante, em especial, tirou a minha atenção do jogo. O apelido de Caça-rato, do atacante Flávio, do Santa Cruz, deveria mudar para Caça-faltas, tamanha era a preocupação do jogador em cavar (caçar) faltas, do que a de cumprir a função destinada a qualquer bom atacante: fazer gols.
Há certo tempo, o atacante Neymar, que nesse mesmo domingo fez dois gols na primeira partida da final do Paulista, sofria com as críticas da imprensa esportiva. Cai-cai era um apelido comum na boca dos cronistas. Vez ou outra, o atacante ainda insiste em enfeitar quedas, havendo falta ou não. Os mesmos cronistas que o criticavam, agora o defendem: é porque ele tem o corpo franzino. Ele é muito leve.
Há quem opine que a simulação também serve para inibir a violência dos adversários, pois uma coisa é receber uma falta, outra bem diferente é receber uma falta e enfeitar (um pouco que seja) a queda. Confundir os olhos do árbitro com uma queda monumental e forçá-lo a distribuir cartões amarelos e vermelhos, e quando a falta ocorre dentro ou próxima da grande área, contribuir para uma jogada decisiva.
Ainda assim, permanecer de pé deva ser a melhor solução para os atacantes velocistas e dribladores. Basta comparar as táticas de Lionel Messi e Flávio Caça-rato durante as partidas. Escolha óbvia, comparação cruel. Como o futebol.
* Carlos Gomes é editor do blog Outros Críticos, diletante em música, poesia, ficções e letras.
























