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O que Mandela tem a ver com o futebol?

19/12 Nenhum Comentário

22-09-2013-12-09-04-responsabilidade-de-assumir-o-fla-nao-intimida-jayme-de-almeida

* por Rodrigo Eiras

No ano em que per­der­mos um dos mai­o­res ído­los mun­di­ais ainda vivo, temos o Flamengo como cam­peão da Copa do Brasil 2013.

E daí?

Não vou focar no meu des­gosto por esse título do Flamengo, que, como bom nor­des­tino e rubro-negro per­nam­bu­cano, torci lou­ca­mente para que não acon­te­cesse. Tirando a riva­li­dade, uma figura do elenco do rubro-negro cari­oca me cha­mou a aten­ção. E não foi Hernane ou Paulinho.

O nome dessa figura, que naci­o­nal­mente está sendo reco­nhe­cido por “dar jeito na casa” é Jayme de Almeida. Diferente de todos os outros téc­ni­cos do Brasil, com a exce­ção de um ou de outro,  Jayme tem a per­so­na­li­dade igual ao o que ele apa­renta ser.

Vindo da casa, o “tapa-buraco”, como diria Arnaldo Bloch, veio um pouco tímido, falando baixo, um pouco sem moral; afi­nal de con­tas, ele é da casa.  Por que falar alto se ainda não se mos­trou digno ou capaz à isso? Tem que ser assim, humilde, qui­e­ti­nho, com pou­cas pala­vras, con­quis­tando res­peito. Seu salá­rio não deve ser essas coi­sas todas, bem menor que qual­quer outro joga­dor do elenco: Mais outro motivo pra não falar muito e ser humilde. Afinal de con­tas, ele repre­senta a humil­dade. Seu devido lugar é este, o seu único lugar de direito, é exa­ta­mente, a humildade.

Deu sorte. Jayme caiu no gosto do elenco e da tor­cida. Time do povo merece um téc­nico do povo! Ajustou o time e, ape­sar da má cam­pa­nha no bra­si­lei­rão, sagrou-se cam­peão da Copa do Brasil e ganhando vaga na liber­ta­do­res do pró­ximo ano. Só ale­gria, né, não?! Mas calma… Ele lem­bra muito um inte­rino de 2009… Qual era o nome dele mesmo? Quase que não lem­bro: Andrade! Grande cam­peão de 2009, ajei­tou a casa e foi cam­peão bra­si­leiro. Mas peraí, onde é que ele tá tra­ba­lhando agora?

Atualmente, Andrade treina o São João da Barra, que joga pela segunda divi­são do cari­oca. Assim como Andrade, Jayme ocu­pou a vaga de um trei­na­dor “vito­ri­oso”, branco e de olhos azuis. Este, no caso, foi Mano Menezes. Em 2009, Andrade teve a mesma opor­tu­ni­dade: subs­ti­tuir um téc­nico “vito­ri­oso”, branco e de olhos azuis, dessa vez, ao invés de gaú­cho, um para­na­ense, Cuca.

Já não bas­tasse nossa polí­tica “padrão Fifa” clas­sista e racista de ser, com are­nas que cada vez mais embran­que­cem o fute­bol bra­si­leiro, cada dire­to­ria no Brasil repro­duz o racismo diá­rio pre­sente em todas as esfe­ras e cama­das soci­ais de nossa rea­li­dade. Negro só é bom com bola no pé. Já a pran­cheta fica nas mãos de brancos.

Gostaria de ver quando téc­ni­cos negros terão opor­tu­ni­dade de tra­ba­lho, e aos pou­cos que já con­quis­tam este direito, não car­re­gas­sem o estigma de “exce­ção” ou “tapa-buraco” do clube.

Ah, mas vão dizer: “Futebol é efêmero!”.

Pode até ser. O que não é efê­mero são as nos­sas mar­cas que con­ti­nuam laten­tes e pre­sen­tes desde muito antes da abo­li­ção escravocrata.

O tapa buraco tem cor em nosso país. E não é só no fute­bol. É só dar uma olha­di­nha nos tan­tos humil­des que temos por aí. Que falam baixo, que ganham pouco e que logo após um período de reco­nhe­ci­mento, são man­da­dos embora.

Fragmentos de uma vitória

26/11 Nenhum Comentário

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* por Mauricio Targino

São Paulo, 24 de novem­bro de 2013, 4 da tarde

Sebastian Vettel fechou a tem­po­rada da F1 ven­cendo a nona seguida, Mark Webber se des­pe­diu pilo­tando sem capa­cete e tomando vento frio na cara e eu pre­ciso ir ao mer­cado. Aliás, não pre­ciso. Mas vou mesmo assim. Dane-se.

Andando sob a garoa, ócu­los de sol, camisa do Sport, calça de aga­sa­lho e chi­nelo, pen­sando no que escre­ver, só de borés­tia. Vejo o cachorro da vizi­nhança solto na rua, de coleira e cor­rente arras­tando, e sua dona, uma velhi­nha de ben­gala na mão, ten­tando pegá-lo de volta e atra­ves­sando a rua. Um filho da puta freia em cima e quase a atro­pela. Ela atra­vessa a rua sozi­nha e eu xingo o motorista.

Não se passa muito tempo sem ver alguém fazer uma merda em São Paulo.

São Paulo, 23 de novem­bro de 2013, 7 da manhã

“Eu vou matar meu com­pa­dre”. São as pala­vras que pro­nun­cio ao tocar o des­per­ta­dor. Depois de uma semana can­sa­tiva de tra­ba­lho, tudo o que se quer é acor­dar por volta do meio-dia. Mas meu com­pa­dre é aquele tipo de sujeito que pra­ti­ca­mente lhe obriga a sair de casa e ver o jogo do Sport. Nem que seja em Varginha, a mais de 300 km de distância.

Mas tudo o que eu que­ria mesmo era dor­mir até umas oito da noite, quando o jogo já tivesse acabado.

São Paulo, 22 de novem­bro de 2013, não lem­bro que horas

Através de uma rede social, um músico cama­rada lá do Recife que está em São Paulo me chama para ver o jogo em algum bar no dia seguinte. Respondo que vou sacri­fi­car uma manada de cor­dei­ros em nome de minha sani­dade e não vou assistir.

Momentos depois, o com­pa­dre tele­fona. Terei de acor­dar às sete da manhã do sábado. E tomar chuva até o ponto de encon­tro para a saída até Varginha, terra do ET. O Google diz que o tra­jeto dura cerca de três horas. E eu acre­dito no Google. E em Lemmy Kilmister. E só.

São Paulo, 23 de novem­bro de 2013, 10 da manhã

Mais de 20 dese­qui­li­bra­dos dis­far­ça­dos de tor­ce­do­res se aco­mo­dam em um micro-ônibus e caem na estrada a cami­nho de Varginha. Barulho, birita e muita fulei­ra­gem. Todo ser humano deve­ria ser obri­gado, ao menos uma vez na vida, a via­jar num esquema des­ses pra ver um jogo de futebol.

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Rodovia Fernão Dias, 23 de novem­bro de 2013, por volta do meio-dia

Em uma parada num posto de gaso­lina, vi que havia um balanço aban­do­nado. Fui brin­car e claro que bate­ram foto. Saí ridí­culo na ima­gem. Tô nem aí.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 14:20

Chegamos ao está­dio, com­pra­mos ingres­sos a dez reais, olha­mos os arre­do­res. Um carro passa na estrada e o ocu­pante do banco do pas­sa­geiro solta um “Vou matar um tor­ce­dor do Sport”, acom­pa­nhando do famoso gesto com o pole­gar para cima e o indi­ca­dor para a frente.

Os idi­o­tas, eles estão em todo o lugar.

Respondo às boas-vindas com um joi­nha. ET que ladra não morde.

São Paulo, 24 de novem­bro de 2013, 17:30

Estou ten­tando escre­ver o texto, mas cada vez que tento digi­tar, me volta a lem­brança da mal­dita dor de cabeça que me ator­men­tou desde que entrei no Estádio do Melão, em Varginha. Tá foda.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 17:38

Marcos Aurélio fez um golaço e cor­reu para come­mo­rar com a tor­cida. Apareci no canto esquerdo do qua­dro na trans­mis­são da TV. Começamos bem a fazer nossa parte.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 18:15

O jogo está no inter­valo e esta­mos ven­cendo por 3 x 0. Tem algo errado nisso. Vai acon­te­cer alguma merda, com certeza.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 18:27

O repór­ter à beira do campo nos avisa que a Chapecoense está ven­cendo o Icasa e falta um minuto pro jogo lá em Juazeiro aca­bar. Esse resul­tado com­bi­nado a nossa vitó­ria garante a volta à pri­meira divi­são. A tor­cida começa a fazer con­ta­gem regres­siva. Fico puto. Não se faz festa antes do apito final. Acaba o jogo em Juazeiro. A tor­cida come­mora. O Sport toma um gol. Começa a cho­ver. Lá vem a lem­brança de dois anos antes, no Serra Dourada. Foi só um lapso de aten­ção, vai dar tudo certo.

São Paulo, 24 de novem­bro de 2013, 01:50

Chegamos de volta a São Paulo com duas horas de atraso em rela­ção ao horá­rio previsto.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 18:42

Claro que o time que adora com­pli­car a pró­pria vida toma o segundo gol e trans­forma a farra em tor­mento. A chuva aumenta. A cabeça dói. Acaba essa porra desse jogo.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 20:10

Caímos de volta na estrada, após uma rápida come­mo­ra­ção na saída do está­dio. O moto­rista pega o sen­tido oposto por mais de 50 km. Se alguém não desse conta, pode­ría­mos ter acor­dado em Belo Horizonte ou Salvador, vai saber.

Curitiba, 24 de novem­bro de 2013, 18:56

O time mais inú­til do uni­verso conhe­cido apa­nha de 6 x 1 do Atlético Paranaense. Hexa é luxo.

Varginha, 23 de novem­bro de 2013, 19:22

Acabou o jogo. Vencemos e esta­mos de volta à pri­meira divi­são. Terceiro acesso em sete anos. Chega, né? Vamos ficar ao menos umas dez ou quinze tem­po­ra­das sem ser rebai­xa­dos, que tal?

São Paulo, 24 de novem­bro de 2013, 02:37

Lar, doce lar. Já estava com saudades.

Rodovia Fernão Dias, 24 de novem­bro de 2013, 00:20

Nosso micro-ônibus empa­re­lha com o ôni­bus do Sport. Ultrapassamos, fomos ultra­pas­sa­dos de volta, ultra­pas­sa­mos de novo, fomos ultra­pas­sa­dos de volta. Festa lá, festa cá.

Recife, 23 de novem­bro de 2013, 18:45 (horá­rio local)

Tem um grupo de tor­ce­do­res do Sport bebendo pesado em um bar no bairro do Derby. Em outros bares tam­bém. Em outros bair­ros, idem. Pense na cachaça.

São Luís, 24 de novem­bro de 2013, 17:59 (horá­rio local)

A namo­ra­di­nha do Brasil, o time da tor­cida que come­mora retorno à Série B (quando o cor­reto seria cele­brar a saída de lá), segura o 0 x 0 con­tra o pode­roso Sampaio Correia e adia a festa pelo vice-campeonato da Série C.

São Paulo, 25 de novem­bro de 2013, 00:40

Vou escre­vendo as últi­mas linhas deste texto não-recomendado para por­ta­do­res de dis­le­xia ou TDA. Ainda falta uma rodada para aca­bar a Série B e não tem como o Sport sair da ter­ceira colo­ca­ção. Subimos como cam­peões em 1990, vice em 2006 e quarto em 2011. Ou seja, com­ple­ta­mos os qua­tro ciclos do inferno da segunda divisão.

Ou seja, está na cara que a par­tida con­tra o Paysandu no sábado seguinte será a última da his­tó­ria a envol­ver o Sport Club do Recife pela Série B do Campeonato Brasileiro. Há quem fale em se vin­gar do time para­ense e de seu late­ral com nome de per­so­na­gem de dese­nho ani­mado japo­nês que anda­ram apron­tando con­tra nós em tem­pos recentes.

Eu, sin­ce­ra­mente, tô cagando pra Paysandu, Pikachu e todas as rimas e pia­das que os refe­ri­dos ter­mos pro­por­ci­o­nam. Também não estou nem aí pro Sport.

Ao menos até a bola rolar em 2014.

We’re back, motherfuckers!

Qual Diego?

01/11 Nenhum Comentário

Maradona.lo

* por Diego Albuquerque

Seguinte, conheço o joga­dor Diego Costa por conta do Championship Manager, um jogo de com­pu­ta­dor em que você é o téc­nico do time. Se não fosse isso, não conhe­ce­ria o joga­dor. Estava pro­cu­rando infor­ma­ções sobre ele e vi que esta é a pri­meira tem­po­rada em que ele marca mais de 10 gols, ou seja, não é lá essas coi­sas todas! Eu sei, vocês podem dizer que fute­bol é momento, mas acho isso de uma inge­nui­dade enorme, já que Pato ainda é nome falado na sele­ção e Walter, ou Éder­son — arti­lheiro do Brasileirão deste ano —  não são.

O lance é que nasce um camisa 9 no Brasil todo dia, nesta fase ruim em que o fute­bol bra­si­leiro está pas­sando para cen­tro­a­van­tes, penso em pelo menos cinco joga­do­res melho­res que o Diego Costa para a posi­ção. Possivelmente ele tem a mesma linha de pen­sa­mento que eu. Por isso pre­fere jogar pela Fúria,  pois lá  tem chan­ces de ser titu­lar de uma copa do mundo em seu país, sendo des­ta­que numa sele­ção favo­rita ao titulo.

Não entendo a revolta de alguns bra­si­lei­ros com o fato do joga­dor pre­fe­rir atuar por outra sele­ção, fato cor­ri­queiro e que já irá tra­zer diver­sos bra­si­lei­ros para a copa em outras sele­ções. Para mim, Diego Costa está agindo com enorme razão e fazendo o certo para a sua car­reira, pois — segundo o mesmo — a Espanha deu todas as chan­ces para o fute­bol dele apa­re­cer. Sem con­tar que Luis Felipe Scolari já dei­xou claro que Fred é o titu­lar da posição.

Caro tor­ce­dor, vive­mos recla­mando que a CBF é mafi­osa, que joga­do­res são indi­ca­dos para sele­ção mesmo sem ter nível ou estar jogando bola para isso, mais uma vez usa­rei Alexandre Pato como exem­plo disso.  Vocês real­mente iriam que­rer entrar nisso?! O pró­prio Felipão já puxou joga­do­res bra­si­lei­ros para outras sele­ções, um exem­plo é o zagueiro Pepe, que joga pela sele­ção por­tu­guesa desde os tem­pos em que ele foi téc­nico por lá. Se ele um dia já incen­ti­vou joga­do­res a tro­ca­rem de naci­o­na­li­dade, por que Del Bosque não pode­ria fazer o mesmo?

Fico ima­gi­nando Diego acei­tando jogar pelo Brasil e nem con­se­guindo entrar no grupo que irá para a copa do ano. Caso entrasse, joga­ria um jogo, con­tra um time infe­rior e quando tudo esti­vesse resol­vido. Ou seja, não teria nenhuma impor­tân­cia, dife­ren­te­mente na Espanha, onde as chan­ces de pro­ta­go­nismo são maiores.

Sinceramente, a expres­são “fura­cão em copo d´água” parece bem per­ti­nente para tal situ­a­ção, afi­nal, esta­mos falando de Diego Costa ou Maradona?

* Diego Albuquerque é res­pon­sá­vel pelos sites de música Hominis Canidae e Altnewspaper

O brasileiro paraguaio

30/10 Nenhum Comentário

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* por Yuri Ribeiro

Acaba a Copa de 2002. Brasil pen­ta­cam­peão e sobre os ombros de Scolari uma enorme pres­são para con­ti­nuar à frente da sele­ção, a qual assu­mira um ano antes. Optou por não continuar.

Começa 2003 e Felipão assume a sele­ção por­tu­guesa. Nenhum xin­ga­mento ou ques­ti­o­na­mento por parte dos bra­si­lei­ros. Pelo con­trá­rio, rolou até tor­cida para que con­quis­tasse a Eurocopa, em 2004, e que con­se­guisse pas­sar à final da Copa do Mundo de 2006.

Nesse período, o bigo­dudo – que jamais foi cha­mado de trai­dor – con­ven­ceu Deco e Pepe a defen­de­rem a sele­ção por­tu­guesa. Dois bra­si­lei­ros, assim como cen­te­nas, ves­tindo a camisa de outra sele­ção. Sob orientação/pedido do trei­na­dor. Os dois joga­do­res, diga-se, nunca foram ques­ti­o­na­dos por terem aceitado.

Aí pula­mos para 2013 e de repente vemos a imprensa bra­si­leira dizendo que Diego Costa, “o arti­lheiro do Campeonato Espanhol, à frente de Cristiano Ronaldo e Messi, pode defen­der a sele­ção espa­nhola”. O assunto fica cada vez mais repe­ti­tivo e, de certa forma, começa uma pres­são em cima de Felipão.

Se ele não con­voca e o cara joga pela Espanha, a culpa cai­ria sobre ele. Sem dúvi­das. O que fazer então? Convoca o cara às pres­sas, mesmo fora do período, para afir­mar o desejo de tê-lo. Isso na teo­ria. Na prá­tica, o desejo desde o começo era tirá-lo da Fúria. Só.

Ninguém nunca tinha ouvido falar em Diego Costa, assim como os outros bra­si­lei­ros que defen­dem sele­ções estran­gei­ras. Nesta tem­po­rada, ele come­çou a jogar a bola e deu-se iní­cio a uma cobrança exa­cer­bada pela sua con­vo­ca­ção. Mesmo assim, quem ia sem­pre era um Pato da vida.

Em março foi cha­mado para dois amis­to­sos, onde pouco pode mos­trar. Parecia mais aque­las con­vo­ca­ções de Mano Menezes, tra­zendo joga­do­res da Ucrânia, sem muita perspectiva.

O ata­cante optou pela Espanha, e como era espe­rado, está sendo cri­ti­cado pelos bra­si­lei­ros que nem davam bola pra ele. Se tor­nou um vilão e virá dis­pu­tar a Copa – sim, essa esco­lha deve ter por trás a garan­tia de estar entre os 23 esco­lhi­dos de Del Bosque – sob pres­são. Pelo menos vem.

A CBF, por sua vez, entrou num clima de bai­xa­ria fute­bo­lís­tica e pro­mete recor­rer, afir­mando que a esco­lha está atre­lada a dinheiro – tão repu­di­ado pelos car­to­las que lá estão –, numa ten­ta­tiva de tirá-lo da Fúria. Dificilmente con­se­guirá. Só vai infla­mar ainda mais o ódio que os bra­si­lei­ros cri­a­ram pelo cara.

Acho que os argu­men­tos de Diego foram bem váli­dos. Como outros joga­do­res tupi­ni­quins, não teve vez no seu país e con­se­guiu des­pon­tar lá fora. Sua vida mudou na Europa e não há nada de errado em defen­der o país que o aco­lheu e deu opor­tu­ni­da­des. Já que a Fifa per­mite, qual o problema?

Se o bra­si­leiro fosse justo — ok, é pedir demais – con­si­de­ra­ria esse caso como um outro qual­quer. Nunca houve impli­cân­cia com Deco ou Felipão pelas suas esco­lhas em defen­der Portugal, pro exem­plo, e seria injusto demais fazer isso com o ata­cante do Atletico de Madrid.

Diego fez certo. Muito certo. Se optasse pela Canarinha, era muito pro­vá­vel que na con­vo­ca­ção para a Copa, ele pagasse o Pato.

Yuri Ribeiro escreve durante o dia para o FDB. À noite sai pra conhe­cer bares e falar sobre eles no blog Guia do Boêmio

Sobre Lênin, imperialismo & Fair Play

22/10 Nenhum Comentário

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* Pedro Leal

Segundo Lênin, o impe­ri­a­lismo é o grau supe­rior do desen­vol­vi­mento do capi­ta­lismo, pre­ci­sa­mente o grau em que a livre con­cor­rên­cia foi subs­ti­tuída pelo monopólio.

Na era da glo­ba­li­za­ção, a potên­cia impe­ri­a­lista, FIFA, cla­ra­mente vem ten­tando mono­po­li­zar o fute­bol como lhe con­vém, aca­bando com a livre con­cor­rên­cia dos padrões de jogo e os fol­clo­res bolei­ros de cada país. E a expres­são máxima desse assas­si­nato às indi­vi­du­a­li­da­des chama-se Fair Play.

No Brasil, há um tempo ainda não muito dis­tante, a irre­ve­rên­cia era a marca regis­trada do nosso estilo de jogo: joga­das indi­vi­du­ais, dri­bles, Dadás Maravilha, Romários, Edmundos, Edílsons & Paulos Nunes, está­dios abar­ro­ta­dos, rega­dos sem­pre a muita cerveja.

Veio então o auge da glo­ba­li­za­ção e com ele as nor­mas de segu­rança nos está­dios, as puni­ções seve­ras ao anti-jogo, a padro­ni­za­ção das entre­vis­tas e dos esque­mas táti­cos. É a cul­tura Fair Play inun­dando as mais lon­gín­quas can­chas do pla­neta bola.

O 4–4-2, com vari­a­ções ao 4–3-1–2 ou 4–3-3 do Barcelona, trou­xe­ram ao mundo o fute­bol pós-moderno. O céle­bre tic-taca se tor­nou o orgasmo desse novo momento. A “guar­di­o­li­za­ção” do fute­bol logo se espa­lhou, bonita, chata… E lá vai ela ata­za­nar a liga alemã e lá vem ela para o Brasil.

O tic-taca da oratória

Aqui, o “com cer­teza” e “o impor­tante são os 3 pon­tos” são as fra­ses pre­fe­ri­das dos bolei­ros, de bol­sos cheios e pés vazios, é o tic-taca na ora­tó­ria. E os polê­mi­cos? Aqueles caras que nos faziam espe­rar a entre­vista depois do jogo, aquele bate-boca no campo, no pro­grama do domingo à noite? Esses são hos­ti­li­za­dos pela mídia, sua vida noturna é man­chete diária.

Nos sobram os cha­tos, os com­por­ta­dos, os normais.

Os está­dios já nem enchem mais, tal­vez por­que nas qua­tro linhas o espe­tá­culo não encha mais os olhos. O fute­bol não é mais o mesmo. O tor­ce­dor que o vê, sen­tado, tão pouco.

Espero ansi­oso pelos liber­ta­do­res, que sal­va­rão nossa pátria —  ou melhor — nos­sas táti­cas e tudo que nos é pecu­liar em ter­mos futebolísticos.

Romariemos o futebol!

A cul­tura Fair Play não há de triun­far! Ou há?

* Pedro Leal nas­ceu em Surubim — inte­rior de Pernambuco — e torce pelo Náutico.

¿Hablas pernambuquês?

20/08 Nenhum Comentário

Índice

* por Yuri Ribeiro

É coisa rara no fute­bol per­nam­bu­cano um clube dis­pu­tar um tor­neio inter­na­ci­o­nal. A última vez que isso acon­te­ceu não tem tanto tempo, foi há qua­tro anos quando o Sport dis­pu­tou a Libertadores após o título da Copa do Brasil.

Mas ano pas­sado a CBF resol­veu mudar os cri­té­rios de clas­si­fi­ca­ção para a Sul-Americana. Sem mai­o­res expli­ca­ções ape­nas avi­sou que quem avan­çasse às oita­vas da Copa do Brasil, abri­ria vaga para quem esti­vesse na fila.

Seguindo esse cri­té­rio, foram entrando times que tinham subido da B pra A e, na sequên­cia, os que tinham sido rebai­xa­dos. E eis que o Sport con­se­guiu a última vaga. E vai enfren­tar o seu rival his­tó­rico, o Náutico.

O ter­ceiro clás­sico mais antigo do país vai ser dis­pu­tado pela pri­meira vez em um tor­neio inter­na­ci­o­nal. Um tem­pero e tanto para esse jogo entre dois times que vivem momen­tos dife­ren­tes no Campeonato Brasileiro.

O Náutico está na Série A, porém amarga a lan­terna do cam­pe­o­nato. O Sport está no G-4 da Série B, mas não tem pas­sado tanta segu­rança assim.

Às vés­pe­ras de um clás­sico, como era de se espe­rar, cada um que jogue a res­pon­sa­bi­li­dade para o outro. Dirigentes do Náutico dizem que o Sport é favo­rito devido ao momento. Dirigentes do Sport dizem que o Náutico está na Série A e isso o torna favo­rito disparado.

Alguns ten­tam ana­li­sar o fator con­sequên­cia. Se o Sport sair pode ser pre­ju­di­cado na sequên­cia do Brasileiro. Se o Náutico for eli­mi­nado sofrerá um baque moral, já que fez cam­pa­nha com o mote “Hablas espa­nhol?” fes­te­jando a clas­si­fi­ca­ção como uma exclusividade.

Os dois times têm pou­cas chan­ces de alme­ja­rem vida longa na com­pe­ti­ção. Acredito, e isso é uma opi­nião pes­soal, que a maior con­quista pro Náutico na atual situ­a­ção seria dis­pu­tar uma par­tida inter­na­ci­o­nal e dar pelo menos um motivo de ale­gria ao seu tor­ce­dor nesse momento crí­tico do time. E para o Sport, que entrou de sope­tão no tor­neio, aca­bar com esse desejo do rival já seria sufi­ci­ente, uma vez que o time tam­bém não tem con­di­ções de seguir adi­ante e a Série B está sendo bem puxada.

Mas, inde­pen­dente das con­sequên­cias para cada lado, o Estado se pre­para para ver um dos melho­res clás­si­cos dos últi­mos tem­pos. Isso, com times ruins e tudo. A impor­tân­cia do jogo vai dar um gás dos dois lados e as tor­ci­das pro­va­vel­mente vão ser pre­sen­te­a­das com jogos disputados.

Provavelmente tere­mos duas par­ti­das com está­dios lota­dos. E um atra­tivo a mais que será o pri­meiro clás­sico da Arena PE, onde o Náutico está man­dando seus jogos.

Na pró­xima quarta sabe­re­mos quem vai avan­çar no módulo do espa­nhol e quem vai ficar no per­nam­buquês. Apenas uma coisa é certa: os tor­ce­do­res der­ro­ta­dos irão sofrer bastante.

Yuri Ribeiro escreve durante o dia para o FDB. À noite sai pra conhe­cer bares e falar sobre eles no blog Guia do Boêmio

Ídolos de pedra não saltam

14/08 Nenhum Comentário

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 * por Carlos Gomes

Ninguém é maior que o clube. Nenhum joga­dor é insubs­ti­tuí­vel. Essas são sen­ten­ças comuns ao fute­bol, fazem parte de seu voca­bu­lá­rio. Quando a expe­ri­ên­cia de um grande joga­dor começa a se trans­for­mar em auto­ri­ta­rismo perante os outros atle­tas – como se o tempo auto­ri­zasse o joga­dor a se sobre­por indis­cri­mi­na­da­mente sobre os outros –, vários pro­ble­mas come­ça­rão a apa­re­cer. No entanto, todos eles serão fil­tra­dos pela boca miúda de quem não quer ficar mal com o gigante do pas­sado. Desse modo, o que fazer com uma está­tua – a quem se deve reve­rên­cia por seus fei­tos – que insiste em per­ma­ne­cer sob a baliza? O que fazer com a empá­fia de um pre­si­dente que nin­guém mais leva a sério?

O São Paulo F.C. está numa encruzilhada.

As falhas recor­ren­tes da última ges­tão do pre­si­dente Juvenal Juvêncio, do São Paulo, ali­a­das aos seus dis­cur­sos tra­gicô­mi­cos, que só aumen­tam o des­cré­dito em rela­ção a mudan­ças mais pro­fun­das, não enco­brem o fato de que um dos mai­o­res ído­los do clube não con­se­gue desem­pe­nhar, nem de perto, o fute­bol que o levou a essa con­di­ção. Mais do que as falhas ou defi­ci­ên­cias téc­ni­cas den­tro de campo, o que mais me assusta em rela­ção ao goleiro Rogério Ceni é o seu dis­curso. O que se espera de um capi­tão e ídolo, num momento de tur­bu­lên­cia? Acalmar os âni­mos com sere­ni­dade e paci­ên­cia; mas, assim como o seu par­ceiro, Juvenal Juvêncio, ambos, semana após semana, fazem o grande favor de pio­rar a situação.

Ceni e Juvêncio estão cada vez mais pare­ci­dos. Não admi­tem os pró­prios erros, quando a rari­dade do tempo os obriga a fazer, é pre­ciso deci­frar entre as milha­res de pala­vras, duas ou três que admi­tam alguma culpa. No entanto, quando o erro – de que tipo seja – ocorre com o com­pa­nheiro, a ladai­nha auto­ri­tá­ria rapi­da­mente toma o con­trole. Quem sem­pre per­derá com isso é o clube, atu­al­mente, refém de seu pas­sado, o acla­mado e exal­tado pas­sado glo­ri­oso.

Enquanto o goleiro e seu pre­si­dente con­ti­nu­a­rem pas­sando ao largo das crí­ti­cas inter­nas do clube, pouca coisa de fato mudará. O que menos o clube pre­cisa, nesse momento, é de ído­los de pedra para se reve­ren­ciar, e sim de mobi­li­dade, ação, ati­tu­des. A pior coisa que pode acon­te­cer para o São Paulo é o rebai­xa­mento. Alguém ima­gina maneira pior que essa para Ceni encer­rar a sua car­reira? Sendo rebai­xado, quem duvida que o goleiro ainda queira per­ma­ne­cer no gol por mais um ano para colo­car o clube de volta à elite? Assim sendo, quem terá força e cora­gem para reti­rar a está­tua de baixo das tra­ves e pô-la em seu devido lugar?

Carlos Gomes é edi­tor do Outros Críticos, dile­tante em música, poe­sia, fic­ções e letras.

 

Rogério Ceni — O poderoso goleirão

08/08 Nenhum Comentário

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* por Yuri Ribeiro

O novo reforço do São Paulo chega e logo é levado ao ves­tiá­rio. Lá ele é apre­sen­tado a todo o elenco e após cum­pri­men­tar cada um com um sin­gelo aperto de mão, recomendam-no bei­jar a mão d’O Poderoso Chefão.

Na hora só se lem­bra do filme e ques­ti­ona os dire­to­res se é uma ação de mar­ke­ting, enquanto pro­cura pelas câmeras.

Nada.

Todos se entre­o­lham até que ele se dá conta que fal­tou um. O goleiro careca, conhe­cido no clube como Rogério Corleone.

Não tendo outra opção, se apro­xima e faz o que lhe foi reco­men­dado. Meio sem jeito, é ver­dade. Dá uma risa­di­nha na ten­ta­tiva de des­con­trair, mas nin­guém ali vê graça.

Tudo é sério. Muito sério.

A única coisa que ouve de volta é “se quer se dar bem aqui, é pre­ciso me res­pei­tar. Não quero dinheiro, quero ape­nas baju­la­ção em troca da sua sobre­vi­vên­cia. Babe meu ovo e nin­guém irá lhe tra­tar mal”.

Mais uma risa­di­nha e nada em troca. A parada era séria e come­çou a assus­tar. Mas quem é o jovem joga­dor para ques­ti­o­nar e per­der essa oportunidade.

Mais algu­mas dias e viu que não era exclu­si­vi­dade sua. Todos, inclu­sive o trei­na­dor, que lá cum­pre o papel de con­se­gli­ere, o tra­tam como um Deus, um salvador.

Atônito, o novo cra­que ape­nas se per­gunta “que porra é essa?”.

Tenta tocar no assunto com um com­pa­nheiro ou outro, mas sem­pre ouve con­se­lhos que envol­vem pon­tos como sobre­vi­vên­cia. Dentro do clube? Não, no mundo mesmo.

Sem con­se­guir segu­rar a angús­tia, cor­reu até o trei­na­dor e desabafou.

- Não vim aqui pra ser baba ovo. Vim aqui pra jogar.

- Shiiiii. Fala baixo, rapaz.

- Tá vendo? Até o senhor tem medo…

- Me chame de você. Senhor é ele.

- Por que esse medo todo, professor?

- Medo? Quem tá com medo? Isso é res­peito, jovem.

- Respeitar por quê? O cara nem agar­rar sabe e quer man­dar no clube.

E assim a jovem pro­messa foi parar num time do inte­rior do Amazonas, a fim de sobreviver.

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Yuri Ribeiro escreve durante o dia para o FDB. À noite sai pra conhe­cer bares e falar sobre eles no blog Guia do Boêmio

- Hola, Luis?

03/08 Nenhum Comentário
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* por Paulo Oliveira
21h26 de ontem, a cabeça ainda reti­nindo após a gole­ada sofrida mais cedo, o pre­si­dente do Santos Futebol Clube, o Laor — enchar­cado de uís­que cata­lão barato -, recebe uma liga­ção de número local em seu quarto de hotel.

- Hola, Luis? Buenas noches.
– …
– …

- Buen…

- Luis? Sandro Rosell.

- Put… — e afas­tou o tele­fone da boca para com­ple­tar sua indignação.

- Luis?

- Habla.

- Como estás?

- Tô bien, tô bien — e sus­pira fundo.

- Mira, te llamo para fijar una fecha para el pró­ximo partido…

- Put… — e afas­tou o tele­fone nova­mente, num riso ner­voso acerca da pró­pria desgraça.

- Hola, Luis?

- Hola, Sandro. Er… deixa eu te hablar una cosa: esquece lo pró­xima par­tido. Puede ser? No te inco­mo­des. Santos es muy longe, teus juga­do­res che­ga­rón can­sa­dos, no vale la pena.

- Pero el contracto…

- Esquece el con­trato. De buena, tá tudo cierto. Fica en la paz.

- Pero que Neymar…

- El garoto está bien enca­mi­nhado. Deixa ele seguir su cami­nho, pelota pra fri­ente. De acuerdo?

- Pero y la multa…

- Esquienta não, Sandro. Vamos hacer de cuenta que nunca exis­tiu. Abrazo!

- Si, si… er… como no… hasta llu­ego, enton­ces. Grac…
- Hablou!
Clic.

Fim da ligação.

* Paulo Oliveira não assiste fute­bol na tv, só lê as rese­nhas dos sites e acha que sabe alguma coisa do assunto

Futebol, números e identidade

02/08 Nenhum Comentário

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* por Geison Almeida

Antes de ini­ciar essas linhas, me vem à mente uma per­gunta: Por que escre­ver sobre seu time, diante de tan­tas outras pala­vras que já foram tão bem escri­tas e que já defi­nem o seu sen­ti­mento? A res­posta eu não sei, mas espero esbo­çar, mesmo que de forma repe­tida esse ímpeto de dizer.

Cada defi­ni­ção do que é ser atle­ti­cano soa em meus ouvi­dos como uma ver­dade abso­luta, a qual é difí­cil negar, ou sim­ples­mente ser ori­gi­nal. Não há como ser ori­gi­nal, sobre­tudo, com a fatal con­di­ção: “Uma vez até mor­rer”. Ser ino­va­dor, seria como não ser.

Estar diante da tem­pes­tade e não tor­cer con­tra o vento, acre­di­tando que um dia ele sopra­ria ao nosso nosso favor aos 48 minu­tos do segundo tempo, reti­rando o peso da bola, colocando-a nos pés de nosso goleiro, seria o mesmo que reti­rar a camisa do varal. Nunca a reti­ra­mos do varal, ela resiste aos dilú­vios e nau­frá­gios como marca de resis­tên­cia. Como não acre­di­tar que seu canto, sua prece, não são ingre­di­en­tes fun­da­men­tais para a vitó­ria de seu clube? Não dá… Não dá, “por­que aqui é Galo, Porra!!!!”

O atle­ti­cano nasce com o peso da sua his­tó­ria, ora boa ora nem tanto. Pergunta a qual­quer atle­ti­cano o que é ser atle­ti­cano. Ouvirá uma res­posta apai­xo­nada, que nenhum mate­má­tico de títu­los saberá expli­car. A iden­ti­dade do atle­ti­cano não é feita por núme­ros, por mais que eles sejam parte de nossa exis­tên­cia, muito menos por com­pa­ra­ção. Ela foi feita por crença, von­tade e pai­xão. Pelo riso tolo nas vitó­rias e pelas dores nos tro­pe­ços. Quem tro­pe­çou dessa vez foi o ata­cante paraguaio.

Rimos mais uma vez feito bobos e nosso choro não foi de dor. Não se quan­ti­fica o atle­ti­cano. Não se iguala o atle­ti­cano pelo número de taças. Contabilize o número de vezes que o cora­ção dele bateu ao longo dessa his­tó­ria, sobre­tudo, daque­les cora­ções que para­ram con­tra o Newell’s old boys. Chegar-se-à tal­vez a uma ínfima mos­tra desse ser.

O atle­ti­cano não quer igua­lar a nin­guém. Digo isso, diante das bra­va­tas do adver­sá­rio, que por ter uma iden­ti­dade quan­ti­fi­cá­vel acre­dita, pro­fun­da­mente, que um dia será como nós. Não são duas, três, quinze ou mais; é “UMA vez até morrer”.

* Geison (obvi­a­mente) é atle­ti­cano e esse texto foi garim­pado do per­fil pes­soal do mesmo no Facebook .