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Arena: nova Roma de bravos guerreiros

18/06 Nenhum Comentário

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* por Carlos Gomes

A imprensa per­nam­bu­cana, de um modo geral, espe­rou pas­si­va­mente até que a insa­tis­fa­ção dos tor­ce­do­res que foram à Arena Pernambuco acom­pa­nhar a Copa das Confederações batesse à sua porta como pauta.

Não era pre­vi­sí­vel que todos os pro­ble­mas agora estam­pa­dos nos jor­nais, blogs, sites e nas redes soci­ais tivesse uma enorme chance de ocor­rer? O papel da imprensa é mera­mente o da “des­cri­ção impar­cial” dos fatos? Onde fica a inves­ti­ga­ção? O que vi nos dias que ante­ce­de­ram ao jogo foi a FIFA e a SECOPA pau­tar todos os jor­nais com os pro­ce­di­men­tos e cami­nhos que os tor­ce­do­res deve­riam seguir.

FIFA, Governo do Estado de Pernambuco, SECOPA e suas car­ti­lhas de con­duta evi­den­ci­a­ram que o papel dos tor­ce­do­res, na opi­nião deles, deve ficar res­trito a seguir as ordens. O trans­porte caó­tico até São Lourenço da Mata tam­bém revela o modo irra­ci­o­nal como o trans­porte público é tra­tado, não só em Pernambuco, mas em todo o país.

As diver­sas mani­fes­ta­ções de ontem têm como ponto de par­tida esse tema, mas pela hete­ro­ge­nei­dade das pes­soas pre­sen­tes nas ruas dos gran­des cen­tros, a pauta se ampliou para diver­sos caminhos.

Por estar­mos no meio de uma com­pe­ti­ção orga­ni­zada pela FIFA, a um ano da Copa do Mundo, e por todos os pro­ble­mas de mobi­li­dade urbana que fica­ram à mar­gem dos gas­tos para a cons­tru­ção e “reforma” de está­dios, ou como que­rem ven­der, are­nas; a feli­ci­dade de ver a sele­ção da Espanha diante dos olhos con­trasta com a tris­teza que é a imo­ra­li­dade em torno da Copa do Mundo no Brasil.

Os mes­mos tor­ce­do­res que gri­ta­ram olé na Arena Pernambuco tive­ram fôlego para gri­tar Vergonha! Vergonha! nas vie­las da Estação Cosme e Damião. Pior que as con­di­ções de acesso, são as des­cul­pas e con­si­de­ra­ções da SECOPA, CBTU e Grande Recife.

Não vou cansá-los com as pala­vras inú­teis e des­ca­bi­das deles, os jor­nais são melho­res em pôr aspas sobres falas e ficar em silên­cio no momento em que deve­riam refle­tir sobre os acon­te­ci­men­tos e dis­cu­tir cri­ti­ca­mente a situação.A dis­si­mu­la­ção é uma maneira esperta de dizer: esta­mos dos dois lados.

Recife ainda rece­berá dois jogos da Copa das Confederações, um deles será já ama­nhã, entre Itália e Japão, e na quinta-feira uma mani­fes­ta­ção mobi­li­zará um número grande de pes­soas, não para gri­tar olé ou aplau­dir o fute­bol das sele­ções estrangeiras.

Movimento neces­sá­rio con­tra as car­ti­lhas e impo­si­ções de um grupo muito pequeno com o poder nas mãos. Os gri­tos serão ecos para rever­be­rar tudo o que está à volta. Ou como canta o hino per­nam­bu­cano, usado por mim tam­bém como sub­tí­tulo desse texto: “Do futuro és a crença, a espe­rança, desse povo que altivo des­cansa como o atleta depois de lutar…”.

Não será nem hora para des­can­sar ou ser Nova Roma ou Novo Recife, ser Recife sem adje­ti­vos, mais atento a ocu­par a rua, os espa­ços e vias públi­cas, não pela força imposta de cima, mas pela neces­si­dade de man­ter­mos a cidade viva.

Carlos Gomes é edi­tor do Outros Críticos, dile­tante em música, poe­sia, fic­ções e letras.

L’architetto

17/06 Nenhum Comentário

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* por Paulo Oliveira

Minha moti­va­ção para estrear-me ao Maracanã no embate entre Itália e México não deu-se por admi­ra­ção à tra­di­ção azzurra e suas qua­tro estre­las bor­da­das ou pela curi­o­si­dade de conhe­cer o rápido e aguer­rido fute­bol mexi­cano, tam­pouco para ver jogar o supe­res­ti­mado e mimado Balotelli.

Minha ida ao emble­má­tico está­dio tinha ape­nas um obje­tivo: ver Andrea Pirlo em ação. Especificamente, vê-lo jogando sem bola.

Tamanha fas­ci­na­ção de vê-lo jogar deve ser igual à de um orni­tó­logo diante de um exem­plar renas­cido de dodó. Pirlo é ave igual­mente extinta no viveiro fute­bo­lís­tico. Trata-se do melhor joga­dor em sua posi­ção, que tam­bém é extinta. Em ver­dade, há ape­nas outro macho vivo – e a espé­cie, fadada à imi­nente erra­di­ca­ção, não se repro­duz – regis­trado em ati­vi­dade, na Catalunha: Xavi.

Mas este tem seu talento ofus­cado pela exce­lên­cia cole­tiva do Barcelona, enquanto o ita­li­ano atua em habitat hos­til, cer­cado de espé­cies menos ilu­mi­na­das. E pos­sui ainda, como dife­ren­cial, um talento abso­luto nas bolas paradas.

Pirlo atua no meio-campo. Alguns o cha­ma­riam de volante, se lhes fosse per­gun­tado. Mas não ousam fazê-lo. Ninguém se atre­ve­ria a limitá-lo assim. Sua área de jogo seria res­trita ao cír­culo cen­tral do gra­mado, se pudes­sem circunscrevê-lo em uma zona espe­cí­fica. Aquele é o seu espaço, terra sagrada indí­gena, res­pei­tada pelo homem branco.

É dali de onde evoca seus xamãs, que – dizem – entre­gam pas­ses mági­cos aos seus aben­ço­a­dos. Sob efeito de um elás­tico, permite-se arris­car andan­ças fora de sua juris­di­ção, esti­cando seus pas­sos em tri­lhas explo­ra­tó­rias já conhe­ci­das e mape­a­das por ele em anos de pere­gri­na­ção, para ema­nar seus ritos e ime­di­a­ta­mente deixar-se retrair de volta à sua oca.

Nenhum passo é dado em falso.

Só com a opor­tu­ni­dade de assis­tir seu fute­bol pas­sear ao vivo é que se tem noção da impor­tân­cia de um joga­dor de seu cali­bre. Impressionante em sua qua­li­dade téc­nica inco­mum, sua cons­ci­ên­cia tática é que o difere dos demais. De sua área, ele não ape­nas dis­tri­bui o jogo, mas ele dita o ritmo da par­tida em todas as suas notas, vivas ou fan­tas­mas, ora ori­en­tando o posi­ci­o­na­mento dos com­pa­nhei­ros, ora soli­ci­tando o retorno da bola aos seus pés.

Ele rege a posse de bola, expan­dindo e con­traindo suas ações de acordo com a neces­si­dade do jogo. Seu passe é ape­nas neces­sá­rio, sem inven­ci­o­ni­ces e sem cor­rer o risco de se atra­ves­sar diante do adver­sá­rio ávido pelo contra-ataque. Costuma ser curto e fácil, mas diante de todos os seus olhos, uma bre­cha no sis­tema defen­sivo pode ser cen­te­si­mal­mente fatal. Observando a esqua­dra ita­li­ana jogar, a ausên­cia de Pirlo no esquema tático parece impos­sí­vel, ape­sar de seus 34 anos.

Mesmo não sendo um joga­dor dado a arran­ques e dis­pu­tas mais acir­ra­das, ele suporta os 90 minu­tos com um fôlego incom­pa­tí­vel à sua idade. É um tipo de joga­dor que todo time no mundo deve­ria ter o direito de pos­suir, como uma espé­cie de Bolsa-Qualidade.

Antes do iní­cio da par­tida, durante o aque­ci­mento, as aten­ções da tor­cida esta­vam obvi­a­mente vol­ta­das ao cele­brado Balotelli, ídolo da gera­ção PES/Fifa. Mas eu sim­ples­mente não con­se­guia tirar os olhos de cada passo e passe de Pirlo. Sua ati­tude é, durante todo o tempo, de uma tran­qui­li­dade assom­brosa. Não se exalta, não grita, não perde a razão.

Trocando bolas com o volante De Rossi, seus pas­ses atra­ves­sando o campo de uma late­ral a outra exi­miam o recep­tor da neces­si­dade de dar um ou dois pas­sos para o lado ou levan­tar o pé para amor­te­cer a bola. Ficando parado, as pará­bo­las de Pirlo, após sua piro­tec­nia no ar, inva­ri­a­vel­mente mor­re­riam aos seus pés, isso mostrou-se inquestionável.

Em jogo, evita o dri­ble. Mas não o ignora, quando neces­sá­rio, e pos­sui uma capa­ci­dade acima de média para o fun­da­mento. Apesar da estru­tura fran­zina, car­rega a bola com segu­rança e sem pas­sar a inse­gu­rança da pos­si­bi­li­dade de perdê-la. Lembro ape­nas de um passe errado seu, excetuando-se as cobran­ças de falta e escan­teio. E era uma enfi­ada que, por capri­cho de uma cabeça mexi­cana, não dei­xou seu com­pa­nheiro na cara do gol.

A ele­gân­cia em sua dis­cri­ção reflete na forma como con­duz a bola com a cabeça levan­tada, exe­cu­tando cál­cu­los infi­ni­tos. A cobrança de falta que resul­tou no pri­meiro gol ita­li­ano é cla­ra­mente fruto de trei­na­mento exaus­tivo. As outras duas chan­ces que teve no segundo tempo ape­nas com­pro­va­ram isso. É um talento que está muito além do domí­nio da física. Não à toa, foi eleito pela Fifa o homem do jogo.

Saí do está­dio satis­feito. Não me impor­tou o resul­tado da par­tida. Mas vou poder dizer, daqui a alguns anos, que vi jogar o melhor do mundo em sua posi­ção, posi­ção essa que dei­xará de exis­tir. E o vi em grande forma.

L’architetto, il pro­fes­sore, Mozart, il metro­meno: joga­do­res cos­tu­mam cul­ti­var um ape­lido por car­reira. Pirlo os coleciona.

* Paulo Oliveira não assiste fute­bol na tv, só lê as rese­nhas dos sites e acha que sabe alguma coisa do assunto

FDB Entrevista — Diego Icasuriaga

13/06 Nenhum Comentário

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* por Yuri Ribeiro

Sempre me per­gun­tei como eu rea­gi­ria a uma pos­sí­vel mudança de estado ou país. Além das difi­cul­da­des cos­tu­mei­ras de adap­ta­ção, como cos­tu­mes, ali­men­ta­ção e com­por­ta­mento, penso o que seria de mim longe do meu time, sem mar­car a pre­sença sema­nal no estádio.

Acompanhar os jogos pela inter­net? Arrumar outro time pra tor­cer na cidade atual? Desistir do futebol?

Enfim, como nunca saí não tenho como res­pon­der. Mas neste post, con­ver­sei com Diego Icasuriaga, arqui­teto uru­guaio que vive no Recife desde 2006 e que — para matar sau­dade do Peñarol — come­çou uma rela­ção de amor com o Sport Club do Recife.

Troquei uma ideia com Diego sobre essa adap­ta­ção e como ele se rela­ci­ona com os dois times. Aproveitando a apro­xi­ma­ção da Copa das Confederações – com dois jogos do Uruguai em Recife – fala­mos tam­bém da sua seleção.

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FDB — Olá, Diego. Primeiramente, como des­co­briu o Sport?

DI – Um dos meus pri­mei­ros tra­ba­lhos em Recife, quando che­guei em 2006, foi dando aulas em um curso de espa­nhol. Passei em uma sele­ção de pro­fes­so­res e o coor­de­na­dor de espa­nhol era o pro­fes­sor Rogério Machado, um rubro-negro faná­tico, que me apre­sen­tou o clube e me levou pela pri­meira vez à Ilha do Retiro.

FDB – Qual foi o pri­meiro jogo na Ilha do Retiro?

DI – O pri­meiro jogo foi con­tra o Brasiliense, em 2006. Uma vitó­ria garan­tia a volta do Leão à 1ª divi­são. Vencemos por 3 x 0. Nesse dia fui apre­sen­tado por Rogério a um tor­ce­dor e na mesma hora esse cara tirou a sua camisa e me deu de pre­sente sem nem me conhe­cer. Isso foi algo que nunca tinha visto. No Uruguai é muito difí­cil de isso acontecer.

 FDB — Só por ser gringo?

DI — Pode ser.

FDB — Foi a par­tir daquele momento que você viu que tinha achado um outro clube pra tor­cer longe de casa?

DI — Foi sim, gos­tei muito da tor­cida e aos pou­cos fui conhe­cendo a sua his­tó­ria. A par­tir daí foi ado­tado como meu segundo time de cora­ção. Tanto que no meu ani­ver­sá­rio seguinte foi um bolo com a metade do escudo de Peñarol e a outra metade do Sport.

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Diego arruma ‘com­pa­nheiro’ para tor­cer pelo Peñarol em Recife

FDB – Então pode­mos dizer que o Sport ajuda a suprir a sau­dade do Peñarol?

DI — Com certeza.

FDB – Aqui em Recife difi­cil­mente você perde um jogo do Sport. No Uruguai cos­tu­mava ir para os jogos do Peñarol?

DI – Ia sim. Para a tri­buna Amsterdam. Seria uma espé­cie de Torcida Jovem só que com algu­mas diferenças.

FDB – Quais dife­ren­ças? A galera é orga­ni­zada de verdade?

DI — Tem um grupo orga­ni­zado sim. Mas como a tri­buna é maior (que a geral da Ilha) você ficando nos can­tos era tran­quilo demais. E ficava todo o tempo can­tando e tor­cendo sem parar mesmo per­dendo 4 a 0. Aí é quando a tor­cida can­tava mais forte ainda.

FDB – Falando em apoiar o time sem parar…o tor­ce­dor do Sport cos­tuma ser bas­tante cor­te­neiro. O que acha desse momento que o clube passa, sem títu­los e com cri­ses no futebol?

DI — Eu acho o tor­ce­dor de Sport muito impa­ci­ente, sobre­tudo no campo. Tem jogo que mesmo você sabendo que está tudo mal, tem que apoiar e repas­sar para os joga­do­res esse apoio para incen­ti­var. Aqui o pes­soal cobra, fica no pé. Tem momen­tos de cobrar, mas isso é fora do gra­mado. Outra coisa é que o tor­ce­dor de Sport está acos­tu­mado ou se acos­tu­mou ulti­ma­mente a ganhar tudo. O título de 2008 deu uma força muito grande, foi um titulo iné­dito e o melhor foi a sua forma de con­quista, jogando bem, com raça e sem joga­do­res de nome. A par­tir daí a cobrança aumen­tou muito. A dire­to­ria tem que achar o cami­nho para o Sport estar de novo no lugar ao qual per­tence, que é a Série A.

FDB — Continua acom­pa­nhando o Peñarol à distância?

DI — Continuo sim. Uruguaio sem­pre gosta de sofrer. E está acos­tu­mado a ficar com a cal­cu­la­dora na mão. O fute­bol Uruguaio antes de eu che­gar aqui estava muito atra­sado em rela­ção ao de outros paí­ses. Mesmo assim os cam­pe­o­na­tos locais sem­pre esta­vam entre Peñarol ou Nacional, que é a “a bar­bie uru­guaia” (risos). Cheguei aqui para con­ti­nuar come­mo­rando títu­los com o Sport. Então foi uma con­ti­nu­a­ção do que eu estava acos­tu­mado em Uruguai. Mas con­ti­nuo acom­pa­nhando tudo o que acon­tece lá. Sofrendo à distância.

FDB — Você falou que o fute­bol do Uruguai estava atra­sado. Mas em 2010 foi sur­presa na Copa do Mundo e no ano seguinte ven­ceu a Copa América…

DI – Foi…não só isso, o Peñarol depois de um tem­pão vol­tou a jogar uma Libertadores da América, che­gando a uma final, inclusive.

FDB – Isso. E agora, qual a expec­ta­tiva para a sele­ção na Copa das Confederações e Copa do Mundo, ambas no Brasil?

DI — Minha expec­ta­tiva é de fazer bons tor­neios, fazendo um papel digno. Hoje o Uruguai não está pas­sando por um momento bom. Ontem (terça), ganha­mos um jogo chave con­tra a Venezuela que nos dá um res­piro para poder clas­si­fi­car para a Copa 2014.

FDB — Vai apro­vei­tar pra ver os jogos do Uruguai no Recife?

DI — Vou sim. O Uruguai é um país com uma popu­la­ção tal­vez menor que a tor­cida do Sport. E ape­sar disso somos um país que tem con­quis­tado coi­sas muito impor­tan­tes no fute­bol. Aqui em Recife os Uruguaios que conheço posso con­tar com uma mão. Então me sinto muito pri­vi­le­gi­ado que na minha cidade tenha a opor­tu­ni­dade de ver onze joga­do­res repre­sen­tando meu país. Estarei lá tor­cendo, come­mo­rando ou lamentando.

FDB – Pra fina­li­zar, o que acha­ria de um novo “Maracanazo” em 2013 ou 2014?

DI — Sinceramente, estou mais pre­o­cu­pado para me clas­si­fi­car para a Copa. E depois vere­mos o que acon­tece. Em 2010 nin­guém dava nada e che­ga­mos lá. Favoritos não somos, mas a his­tó­ria pesa e as cami­sas tam­bém. Nós não temos um fute­bol boni­ti­nho, mas sobra raça e força de von­tade. Assim sem­pre fomos e seremos.

Yuri Ribeiro escreve durante o dia para o FDB. À noite sai pra conhe­cer bares e falar sobre eles no blog Guia do Boêmio

Amarrando cachorro com linguiça

04/06 Nenhum Comentário

futebol de rua

* por Paulo Oliveira

Imprevisível, cri­a­tivo, genial. São alguns dos adje­ti­vos usa­dos pelo mundo para des­cre­ver o fute­bol bra­si­leiro. Arte. Referência de espe­tá­culo, viveiro de espé­cies úni­cas nos gra­ma­dos — o beija-flor, o gali­nho — e de apro­pri­a­ções inde­vi­das de ocu­pa­ções — o impe­ra­dor, o mala­ba­rista -, nos acos­tu­ma­mos a ser e ter os melho­res do mundo desde sem­pre, mesmo durante o hiato de 24 anos que nos sepa­rou da taça do mundo.

Nosso fute­bol sem­pre foi maroto e cheio de firu­las incom­pre­en­sí­veis, capa­zes de entor­tar colu­nas e dei­tar mui­tas bun­das no gra­mado. Nos gabá­va­mos de pre­zar pela indi­vi­du­a­li­dade, de mon­tar­mos times onde cada joga­dor pos­suía um atri­buto dife­ren­ci­ado, como um exér­cito de poke­móns. O cal­ca­nhar de Sócrates, os lan­ça­men­tos de Gérson, as arran­ca­das de Ronaldo, o pé direito de Zico e o esquerdo de Rivaldo, as cobran­ças de falta de Roberto Carlos, os cru­za­men­tos de Júnior, a fina­li­za­ção fria de Romário, o dri­ble de Garrincha, e tan­tos outros ases que engros­sa­vam nossa hete­ro­gê­nea sopa de fute­bol canarinha.

Essa hete­ro­ge­nei­dade era nosso dife­ren­cial, fazendo os adver­sá­rios come­rem poeira sem nem saber por onde pas­sou o tra­tor. Nosso pequeno grande trunfo con­tra equi­pes que pen­sa­vam tati­ca­mente, que joga­vam com e pelo time e geral­mente eram des­pro­vi­das de talento. Enquanto o mundo jogava em buro­crá­ti­cos blo­cos, nos sobres­saía­mos com petar­dos sor­ti­dos, atu­ando em rota­ções dife­ren­tes, numa indis­ci­plina hipe­ra­tiva onde o téc­nico repre­sen­tava ape­nas a figura da mãe aper­re­ada com a bagunça malo­queira de seus reben­tos den­tro de casa. Mas era só infân­cia, então tudo bem.

Havia no fute­bol bra­si­leiro essa edu­ca­ção de rua, uma ati­tude per­mis­siva para esse tipo de tra­qui­na­gem den­tro do jogo, como se fosse uma forma de com­ba­ter a repres­são domés­tica. Crescemos – ou cres­ce­ram, os que domi­nam a arte – cana­li­zando a rebel­dia dos pas­sos, da ginga, daquela irre­ve­rên­cia do povo bra­si­leiro, tão comen­tada durante o car­na­val, em dire­ção a um palco onde devía­mos ser meio marginais.

Eis que o invi­sí­vel fenô­meno da glo­ba­li­za­ção bateu à nossa porta e parece que tolheu toda essa mís­tica da malan­dra­gem com a bola nos pés da qual nos van­glo­riá­va­mos tanto. O pela­deiro, aquela figura que saía do campo do bairro direto para o gra­mado dos gran­des times, outrora regra, virou exceção.

Há uma ten­dên­cia mun­dial ao fute­bol padro­ni­zado, asse­ado e sem vícios domi­nando os cen­tros de trei­na­mento. Aquele garoto fran­zino de habi­li­dade impar já não tem mais espaço diante dos gala­laus entron­ca­dos que domi­nam as con­cen­tra­ções. Um Zico hoje, por exem­plo, teria difi­cul­da­des para pas­sar nas panelas.

E essa deses­tru­tu­ra­ção do nosso ine­xis­tente tres­lou­cado estilo nos tor­nou comuns, tec­ni­ca­mente iguais aos outros fute­bóis, porém anos-luz atrás de sua supre­ma­cia tática, pequeno deta­lhe para o qual nunca aten­ta­mos com a ênfase mere­cida. Isso nos coloca num ver­go­nhoso 19º lugar no ran­king da Fifa, mais pró­xi­mos de ser­mos atin­gi­dos pela Dinamarca que de ultra­pas­sar­mos a França, a depen­der da pro­vá­vel desas­trosa cam­pa­nha que fare­mos na Copa das Confederações, con­si­de­rando os últi­mos e inex­pres­si­vos – quiçá vazios – resul­ta­dos da nossa mal­fa­dada Seleção.

Esse 19º lugar nos põe atrás de fre­gue­ses his­tó­ri­cos, como Colômbia e Equador, e de for­ças emer­gen­tes e até então insig­ni­fi­can­tes do fute­bol euro­peu, como Suiça, Grécia e Bélgica, que even­tu­al­mente fre­quen­ta­vam uma Copa do Mundo.

A lição que fica dessa Copa de 2014 é que fica­mos órfãos, um fute­bol sem pai nem mãe. Só babás. É che­gada a hora do retorno da pal­ma­tó­ria. É pre­ciso por ordem na casa e seguir os dita­mes do fute­bol higiênico.

Volta pra casa, menino. E lava essas mãos pra comer. Acabou a bagunça. E, acre­dite: isso vai doer mais em mim que em você.

* Paulo Oliveira não assiste fute­bol na tv, só lê as rese­nhas dos sites e acha que sabe alguma coisa do assunto

O Galo e sua fama. O futebol e suas loucuras.

31/05 Nenhum Comentário

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* por Yuri Ribeiro

A fama é de time ama­re­lão. O téc­nico é conhe­cido como o maior vice cam­peão. Mas aos pou­cos o Galo e Cuca vão apa­gando as ima­gens nega­ti­vas que têm e se apro­xi­mam de uma con­quista épica, a Libertadores da América.

Pode ser cedo pra falar, prin­ci­pal­mente se tra­tando das duas par­tes que agora estão jun­tas a fim de com­ba­ter as pia­das de outrora. Mas o Atlético-MG tem tudo para fatu­rar o torneio.

Já se vão dez jogos e ape­nas uma der­rota. A mai­o­ria das vitó­rias foi dando baile, com Ronaldinho, Bernard e cia dando show den­tro de campo.

Ontem, pelo segundo jogo das quartas-de-final, con­tra o Tijuana do México, uma his­tó­ria de pânico – não só pelas más­ca­ras usa­das pelos tor­ce­do­res para assus­tar o adver­sá­rio – e ale­gria, daque­las de dei­xar as per­nas bambas.

O jogo seguia no banho-maria, com um empate que dava a clas­si­fi­ca­ção ao time mineiro. Alguns sus­tos ali outros acolá e o tempo ia pas­sando. Eis que aos 48 o juiz marca um pênalti para os mexicanos.

Por alguns minu­tos entre o apito que mar­cava a infra­ção e o que auto­ri­zava a cobrança, os seca­do­res fize­ram a festa, excla­ma­ram que com Cuca e Galo jun­tos não pode­ria ser dife­rente. Para eles, era óbvio que os dois cairiam.

Mas quem caiu certo foi Victor. Pode – e não deve – ter sido inten­ci­o­nal, mas sua defesa se tor­nou um lindo voleio. Que classe. Chupa, Iguita.

E aí acon­tece daque­las coi­sas que só quem gosta de fute­bol pode ter ideia do que sig­ni­fica. Na arqui­ban­cada só se via mar­manjo cho­rando e se abraçando.

E tem gente que não gosta de fute­bol. Pior, tem gente que não entende quem gosta.

Não pre­cisa ser atle­ti­cano para se envol­ver emo­ci­o­nal­mente com toda aquela his­tó­ria que rolou no Independência ontem. Basta gos­tar de futebol.

Coitados dos que assis­tiam pela TV tam­bém. Pelo SporTV, para ser mais espe­cí­fico. Milton Leite, logo após a defesa, con­fuso com o que estava acon­te­cendo, repe­tiu algu­mas vezes que o juiz man­dou vol­tar o pênalti e que Victor seria expulso.

Isso não se faz, Miltão. MEU DEUS.

O Galo agora tem pela frente – se tudo der certo – mais dois adver­sá­rios. O pri­meiro é o Newell’s Old Boys, que tam­bém tenta o seu pri­meiro título.

Gostaria de dizer que o Atlético, depois dessa clas­si­fi­ca­ção extra­or­di­ná­ria, é o grande favo­rito. Mas o Newell’s tirou o Boca depois de uma dis­puta de pênal­tis com 22 cobranças.

Quem qui­ser que aponte favo­rito. Moral por moral, os dois estão cheios.

A parte boa é que ainda falta mais de um mês. Dá tempo dos tor­ce­do­res mar­ca­rem con­sulta pra fazer um checkup.

Yuri Ribeiro escreve durante o dia para o FDB. À noite sai pra conhe­cer bares e falar sobre eles no blog Guia do Boêmio

Nem Arena Pernambuco, nem Itaipava Arena

23/05 Nenhum Comentário

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* por Mauricio Targino

O está­dio per­nam­bu­cano para a Copa do Mundo e das Confederações já tem um nome. E não é nem ofi­cial, muito menos o comer­cial. É Arena Coxinha.

Primeiro, por­que a defi­ni­ção “gas­tronô­mica” de coxi­nha (massa por fora, frango por den­tro) remete a “massa”, de “legal, “bacana”, e a “frango”, gíria que, para os não-iniciados em nor­des­ti­nês, sig­ni­fica indi­ví­duo afe­tado, carac­te­rís­tica atri­buída aos tor­ce­do­res do Náutico, clube que vai admi­nis­trar a Arena Coxinha, por seus rivais.

Além disso, a defi­ni­ção infor­mal de coxi­nha — Pessoa poli­ti­ca­mente cor­reta, que não se expõe, que não ultra­passa os limi­tes, careta, quase um CDF, que não se posi­ci­ona — bem pode ultra­pas­sar o âmbito indi­vi­dual e pas­sar a defi­nir o fami­ge­rado fute­bol moderno.

Futebol moderno, cuja his­tó­ria de naming rights deu ao está­dio nome de cer­veja ruim.

E quem sabe após o final do con­trato com a tal empresa de bebi­das, o está­dio ganhe um novo nome, esse sim capaz de riva­li­zar com Arena Coxinha.

McArena.

A Arena Pernambuco é aquela loira gostosa sem conteúdo

21/05 Nenhum Comentário

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* por Rodrigo Édipo

20/05/2013, 19h35, ônibus.

“Ele ficou decep­ci­o­nado… até em Fortaleza teve uma área VIP para fun­ci­o­ná­rios com ar con­di­ci­o­nado, aqui eles fica­ram mis­tu­ra­dos com o resto do público como se fos­sem qual­quer um”, falou Dona Tereza (nome fic­tí­cio), se refe­rindo ao suposto “des­caso” com os ope­rá­rios per­nam­bu­ca­nos neste que foi o pri­meiro evento teste da Arena Pernambuco antes de ser entre­gue aos cui­da­dos da FIFA.

Pergunto a ela como sabe da infor­ma­ção refe­rente a Arena de Fortaleza. “Eu conheço, fui para a inau­gu­ra­ção dela e para a do Maracanã”. Na ver­dade, o irmão de Dona Tereza tra­ba­lhou tam­bém nas obras de Fortaleza e Rio de Janeiro. Com a pul­seira no punho esquerdo escrita “Staff”, ele está sen­tado duas cadei­ras na nossa frente. Percebe nossa con­versa, mas dá de ombros.

“Ele tá cha­te­ado, e não vai falar nada pra você por­que veste a camisa da empresa que tra­ba­lha”, falou a senhora jus­ti­fi­cando e me tirando de tempo. Pergunto se ela não quer se iden­ti­fi­car e fazer algum tipo de denún­cia, no que ela vira pra mim e fala exal­tada “Você está fazendo uma maté­ria sobre a por­ca­ria da Arena né? E desde quando denún­cia serve de alguma coisa? Graças a Deus nem Dilma eu vi, che­guei depois…”, finalizou.

Estamos no “ôni­bus cir­cu­lar” (des­ti­nado a levar e tra­zer o público para o evento) no cami­nho de volta para a rodo­viá­ria. Ao che­gar no des­tino, em meio as esca­das e ram­pas, abordo o ope­rá­rio insa­tis­feito e tento puxar assunto, mas o mesmo — de forma lacô­nica – con­firma que tem fun­da­mento a revolta da irmã e encerra o papo comigo, “Em com­pa­ra­ção com outras cida­des, foi ruim, foi fraco, pode­riam ter feito mais”.

Esse “mais” não sei bem o que pode­ria ser, mas esteve óbvio em nossa breve con­versa que ele não se sen­tiu repre­sen­tado no evento.

Mesmo não colhendo boas infor­ma­ções, dá pra enten­der um pouco, até por­que eu tam­bém tenho o meu rancor.

A bem da ver­dade é que todo o evento ontem soou como uma pública e ins­ti­tu­ci­o­nal (no pior sen­tido da pala­vra) “pres­ta­ção de con­tas” assép­tica em que o nar­ra­dor do sis­tema de som só con­se­guia ani­mar a pla­teia — for­mada por ope­rá­rios e fami­li­a­res — com aquela man­jada brin­ca­deira (que o Sport sem­pre ganha) de saber qual tor­cida de Pernambuco é a mais barulhenta…

A inte­ra­ção por 3 horas segui­das foi basi­ca­mente essa. Mas teve Dilma… ela veio (de heli­cóp­tero), fez gol, levan­tou ban­dei­ras, deu as cos­tas e foi embora.

Como diz aqui no Nordeste:“Sem dar um pio”. Tudo muito frio e dis­tante. hash­tag sau­dade lula

E por que acon­tece isso? Porque todo este “circo” que reveste a Copa do Mundo no Brasil está des­co­lado com a rea­li­dade cul­tu­ral do país. Não existe essa pre­o­cu­pa­ção, é tudo (mal) ven­dido e superfaturado.

Por isso não dá a liga, não flui… a única pre­o­cu­pa­ção é o dinheiro. O povo não está na pauta. Por isso que — para aque­les ope­rá­rios - o evento foi e não foi bom.

O nome da arena ser bati­zado com a marca de uma cer­veja é ape­nas o pre­nún­cio do que é — de fato — valorizado.

Bonito, moder­noso, con­for­tá­vel, “de pri­meiro mundo”… e? O que a Itaipava Arena Pernambuco tem a dizer sobre o lugar onde a gente vive? Na ver­dade, o “padrão FIFA” — tão pro­pa­lado por um orgu­lhoso Ricardo Leitão em con­versa com jor­na­lis­tas após o evento de ontem — é mesmo o único e ver­da­deiro culpado?

Dudu & equipe não pode­riam inter­vir de alguma forma? Por que em São Lourenço?

E lá no Rio de Janeiro, onde foram parar as memó­rias do antigo Maracanã? Por que não o revi­ta­li­za­ram? Por que não o preservaram?

A essa altura do cam­pe­o­nato falar disso é cho­ver no molhado, vão dizer. Ok! Hipotermize-se com a realidade.

A Itaipava Arena Pernambuco é um espaço sem alma. É um não-lugar, assim como os aero­por­tos e shop­ping cen­ters espa­lha­dos pelo mundo afora. Isso por­que ainda não a vi 100% pronta, 100% plás­tica, 100% sem nenhum arra­nhão­zi­nho igual as bran­qui­nhas de Casa Forte. O res­tau­rante Antiquário nas Graças tem muito mais a dizer.

O está­dio pode até encher os olhos de quem enxerga que o pro­gresso está rela­ci­o­nado à piro­tec­nia esté­tica , mas — para mim — o que falta é con­teúdo,  assim como aquela loira gos­tosa do pro­grama de domingo.

Disseram que a Arena é “nossa”, mas — assim como o ope­rá­rio anô­nimo do começo do texto — eu não con­se­gui me encon­trar ali. Jardim Atlântico não foi convidado.

Ontem pen­sei muito nos tor­ce­do­res do Náutico e na sau­dade cor­tante que terão dos Aflitos. A alma alvir­ru­bra está na Rosa e Silva. Todos façam o sinal da cruz.

Mas isso não é pro­blema meu, muito pelo contrário…

… a minha Ilha do Retiro con­ti­nua impá­vida e intacta.

Até que a assep­sia do pro­gresso nos separe.

* Rodrigo Édipo é edi­tor do Futebol de Bolso

Barrinha (Volume 1)

18/05 Nenhum Comentário

1299794218_medium Barrinha é uma série de notas rápi­das para lei­to­res que não apre­ciam tex­tos lon­gos, muito menos Ritalina.

(por Paulo Oliveira)*

O Botafogo hoje tem o melhor naipe de meias do fute­bol bra­si­leiro: Seedorf, Lodeiro, Andrezinho e Fellype Gabriel seriam titu­la­res em qual­quer time da Série A. Ok, podem igno­rar o Fellype Gabriel. Mas se inves­tir no ata­que, se escala entre os favo­ri­tos do Brasileiro.

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Acabou-se o pó-de-arroz de pir­lim­pim­pim do Fluminense.

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Antes, o mundo do fute­bol estava pola­ri­zado entre Messi e Cristiano Ronaldo. Agora, o por­tu­guês enfrenta a con­cor­rên­cia dos Novos Alemães e de sua pró­pria idade. Enquanto isso, o Argentino só faz o sufi­ci­ente para reno­var sua car­tei­ri­nha de melhor do mundo a cada ano.

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O Calcio, antigo celeiro dos melho­res do mundo, agora só abriga pan­garé. Nunca na his­tó­ria desse país se viu o quar­teto for­mado por Milan, Juventus, Inter e Roma tão fraco.

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O Santos já começa a pen­sar melhor na venda de Neymar. Vendo a ver­ti­gi­nosa des­va­lo­ri­za­ção do seu Neu Robinho, já abriu a mesa de nego­ci­a­ções para livrar-se dele na pró­xima janela. As pri­mei­ras ofer­tas do além-mar, onde o povo de besta só tem a cara, não foram muito ani­ma­do­ras. “Não acei­ta­re­mos ofer­tas irri­só­rias na casa dos 20 milhões. Seria pre­fe­rí­vel mantê-lo até o fim do con­trato e liberá-lo sem cus­tos, pois o valor das recei­tas do clube com­pen­sa­ria”. Arram, sei.

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Por outro lado, a dupla Oscar e Lucas, o segundo em sua pri­meira tem­po­rada euro­peia, já mos­trou que a mudança não os inti­mi­dou. São titu­la­res em dois clu­bes de ponta e ten­dem ape­nas à evo­lu­ção. Lucas, por sinal, pos­tou sua pri­meira foto no Instagram ape­nas essa semana. Acho que ele deve ter mais o que treinar.

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Convocação para a Copa das Confederações com ape­nas duas polê­mi­cas é lucro. Ops, uma só, na ver­dade. Ramires tinha vaga nesse time.

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Até ontem (no sen­tido figu­rado), Cuca era tido como o grande loser do fute­bol bra­si­leiro. Chorão e caça­dor de vice-campeonatos, cos­tu­mava ser ridi­cu­la­ri­zado em praça pública por seus… hm… des­fei­tos. Agora, a imprensa espor­tiva o exalta como o grande estra­te­gista da atu­a­li­dade, junto a Tite. Muricy, outrora una­ni­mi­dade, agora virou téc­nico de rachão e limi­ta­dor da geni­a­li­dade de Neymar. Enquanto isso, Alex Ferguson encer­rou sua vito­ri­osa car­reira de 27 anos frente ao Manchester United, mesmo tendo pas­sado um ou outro ano em branco.

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O Monaco, recém-saído das tre­vas da Ligue 2 fran­cesa, é o time Forbes da pró­xima tem­po­rada. São 200 milhões de euros para brin­car de gas­tar, nada menos que o dobro do orça­mento do agora todo-poderoso Bayern. Falcão Garcia já é tido como con­tra­tado. Essa é pra quem reclama do abismo social bra­si­leiro. E o Calcio vai aca­bar tornando-se o 5º cam­pe­o­nato da Eurozona.

*

É sério que andam con­si­de­rando o tal do Cássio um grande goleiro? Ok, parei.

 * Paulo Oliveira não assiste fute­bol na tv, só lê as rese­nhas dos sites e acha que sabe alguma coisa do assunto.

Foto ori­gi­nal> Caio Vilela

“Santinha”, CR7 & o deboche

16/05 Nenhum Comentário

Santa terezinha  do Mernino Jesus. 01.10.10

* por Carlos Gomes

As cha­ma­das da ESPN Brasil para o jogo entre Inter e Santa Cruz, em que não há nenhuma refe­rên­cia do time ou tor­cida per­nam­bu­cana, já denun­ci­a­vam que a cober­tura espor­tiva do jogo pen­de­ria para as ban­das do Rio Grande do Sul. Quando digo isso, de forma alguma acre­dito que os jor­na­lis­tas que cobri­ram a par­tida, Paulo Calçade nos comen­tá­rios e Paulo Andrade na nar­ra­ção, dariam infor­ma­ções equi­vo­ca­das a res­peito do jogo a favor do Inter. Não se trata disso.

A “ausên­cia” do Santa Cruz na cha­mada da trans­mis­são e a insis­tên­cia em debo­char do ata­cante do Santa Cruz, Flávio Caça-rato, referindo-se a ele por diver­sas vezes como CR7 (refe­rên­cia direta a Cristiano Ronaldo e as ini­ci­ais de seu nome, bem como o número 7 da camisa), tor­nava o joga­dor, e, con­se­quen­te­mente, o time inteiro do Santa Cruz, uma espé­cie estra­nha ao evento espor­tivo. Os tri­co­lo­res e seus nomes exó­ti­cos são intru­sos, assim, faz parte do espe­tá­culo insis­tir com o deboche.

Do outro lado, na trans­mis­são da TV Globo, como já é cos­tu­meiro, o bair­rismo con­tem­pla­tivo se choca pouco a pouco com a acei­ta­ção às limi­ta­ções das equi­pes de Pernambuco.

De vez em quando, os pro­gra­mas espor­ti­vos da ESPN Brasil rece­bem comen­tá­rios furi­o­sos de tor­ce­do­res de fora do Sudeste, recla­mando pela ausên­cia de suas equi­pes nas aná­li­ses dos comen­ta­ris­tas. Percebo no comen­ta­rista PVC, da mesma ESPN Brasil, um esforço para estar a par e infor­mar a audi­ên­cia sobre o que acon­tece fora de São Paulo, mas as “infor­ma­ções” são mera­mente de resul­ta­dos e pon­de­ra­ções que qual­quer tor­ce­dor mais atento faria. Isso não é hábito somente da ESPN Brasil, longe disso. Mas quando se con­fron­tam equi­pes que vivem momen­tos bas­tante dife­ren­tes, é pre­ciso que as aná­li­ses e comen­tá­rios levem em conta esses con­tex­tos. Não foi o que vi no pré-jogo.

Até onde pode ir o Santa Cruz?

Não tenho ideia de como está a cate­go­ria de base do Santa Cruz, mas é impor­tante para o fute­bol per­nam­bu­cano per­ce­ber­mos que, de uma forma ou de outra, os joga­do­res reve­la­dos na base têm tido papel de pro­ta­go­nismo nas recen­tes con­quis­tas da equipe tri­co­lor. Manter a equipe e bus­car por refor­ços deve estar na pauta dos diri­gen­tes do Arruda para a dis­puta da Série C do Brasileirão. No entanto, dar melho­res con­di­ções de tra­ba­lho às cate­go­rias de base e tê-la como fonte prin­ci­pal para as con­quis­tas, bem como entendê-la como uma das prin­ci­pais for­mas de man­ter a saúde do clube, não ape­nas pen­sando na parte finan­ceira, mas tam­bém téc­nica, tem que estar per­ma­nen­te­mente em pauta.

Os últi­mos jogos do Santa Cruz evi­den­ciam diver­sas defi­ci­ên­cias da equipe, defi­ci­ên­cias que o pró­prio time reco­nhece, já que o modo aguer­rido e tati­ca­mente inte­li­gente em que se por­tam em campo, tem deter­mi­nado as boas par­ti­das e os resul­ta­dos sig­ni­fi­ca­ti­vos que eles têm alcan­çado, jus­ta­mente quando se apro­xi­mam do cen­te­ná­rio do clube (em 2014) e nos suces­si­vos fra­cas­sos no Brasileirão.

A equipe e a tor­cida têm mos­trado uma sin­to­nia impres­si­o­nante, é tanto que pelo menos isso con­se­gue entrar repe­ti­das vezes na pauta da imprensa “naci­o­nal”. Carinhosamente cha­mado de Santinha pelo nar­ra­dor Paulo Andrade, o time tem demons­trado que a apli­ca­ção tática e o esforço cole­tivo em sin­to­nia com a pul­sa­ção das arqui­ban­ca­das devem ser­vir como lição para os “gran­des clu­bes da Série A”.

Carlos Gomes é edi­tor do Outros Críticos, dile­tante em música, poe­sia, fic­ções e letras.